sexta-feira, 17 de outubro de 2008

O PARADOXO DE NOSSO TEMPO


O paradoxo de nosso tempo na história é que temos edifícios mais altos, mas pavios mais curtos; auto-estradas mais largas, mas pontos de vista mais estreitos; gastamos mais, mas temos menos; nós compramos mais, mas desfrutamos menos.
Temos casas maiores e famílias menores; mais conveniências, mas menos tempo; temos mais graus acadêmicos, mas menos senso; mais conhecimento e menos poder de julgamento; mais proficiência, porém mais problemas; mais medicina, mas menos saúde.
Dirigimos rápido demais, nos irritamos muito facilmente, ficamos acordados até tarde, acordamos cansados demais, raramente paramos para ler um livro, ficamos tempo demais diante da TV e raramente oramos.
Multiplicamos nossas posses, mas reduzimos nossos valores. Falamos demais, amamos raramente e odiamos com muita freqüência.
Aprendemos como ganhar a vida, mas não vivemos essa vida. Adicionamos anos à extensão de nossas vidas, mas não vida à extensão de nossos anos.
Já fomos à Lua e dela voltamos, mas temos dificuldade em atravessar a rua e nos encontrarmos com nosso novo vizinho. Conquistamos o espaço exterior, mas não nosso espaço interior.
Fizemos coisas maiores, mas não coisas melhores. Limpamos o ar, mas poluímos a alma. Dividimos o átomo, mas não nossos preconceitos. Escrevemos mais, mas aprendemos menos.
Planejamos mais, mas realizamos menos. Aprendemos a correr contra o tempo, mas não a esperar com paciência. Temos maiores rendimentos, mas menor padrão moral. Temos mais comida, mas menos apaziguamento.
Construímos mais computadores para armazenar mais informações para produzir mais cópias do que nunca, mas temos menos comunicação. Tivemos avanços na quantidade, mas não em qualidade.
Estes são tempos de refeições rápidas e digestão lenta; de homens altos e caráter baixo; lucros expressivos, mas relacionamentos rasos. Estes são tempos em que se almeja paz mundial, mas perdura a guerra nos lares; temos mais lazer, mas menos diversão; maior variedade de tipos de comida, mas menos nutrição.
São dias de duas fontes de renda, mas de mais divórcios; de residências mais belas, mas lares quebrados. São dias de viagens rápidas, fraldas descartáveis, moralidade também descartável, "ficadas" de uma só noite, e pílulas que fazem de tudo: alegrar, aquietar, matar. É um tempo em que há muito na vitrine e nada no estoque; um tempo em que a tecnologia pode levar-lhe estas palavras e você pode escolher entre fazer alguma diferença, ou simplesmente apertar a tecla DEL.
Autor desconhecido

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

PACIÊNCIA



Ah! Se vendessem paciência nas farmácias e supermercados... Muita gente iria gastar boa parte do salário nessa mercadoria tão rara hoje em dia. Por muito pouco a madame que parece uma "lady" solta palavrões e berros que lembram as antigas "trabalhadoras do cais"... E o bem comportado executivo? O "cavalheiro" se transforma numa "besta selvagem" no trânsito que ele mesmo ajuda a tumultuar... Os filhos atrapalham, os idosos incomodam, a voz da vizinha é um tormento, o jeito do chefe é demais para sua cabeça, a esposa virou uma chata, o marido uma "mala sem alça". Aquela velha amiga uma "alça sem mala", o emprego uma tortura, a escola uma chatice. O cinema se arrasta, o teatro nem pensar, até o passeio virou novela. Outro dia, vi um jovem reclamando que o banco dele pela internet estava demorando a dar o saldo, eu me lembrei da fila dos bancos e balancei a cabeça, inconformado... Vi uma moça abrindo um e-mail com um texto maravilhoso e ela deletou sem sequer ler o título, dizendo que era longo demais. Pobres de nós, meninos e meninas sem paciência, sem tempo para a vida, sem tempo para Deus. A paciência está em falta no mercado, e pelo jeito, a paciência sintética dos calmantes está cada vez mais em alta. Pergunte para alguém, que você saiba que é "ansioso demais" aonde ele quer chegar? Qual é a finalidade de sua vida? Surpreenda-se com a falta de metas, com o vago de sua resposta. E você?
Aonde você quer chegar?
Está correndo tanto para quê? Por quem? Seu coração vai agüentar? Se você morrer hoje de infarto agudo do miocárdio o mundo vai parar? A empresa que você trabalha vai acabar? As pessoas que você ama vão parar? Será que você conseguiu ler até aqui? Respire... Acalme-se... O mundo está apenas na sua primeira volta e, com certeza, no final do dia vai completar o seu giro ao redor do sol, com ou sem a sua paciência... NÃO SOMOS SERES HUMANOS PASSANDO POR UMA EXPERIÊNCIA ESPIRITUAL... SOMOS SERES ESPIRITUAIS PASSANDO POR UMA EXPERIÊNCIA HUMANA...
autor desconhecido

AQUELE INVERNO PROMETIA...


A manhã acordava com serenidade.
O inverno estava no ar e em seu nome o amanhecer chegava enrolado na escuridão. Pedro, nove anos incompletos, acabara de acordar e ainda sem coragem de afastar o cobertor, cruzara os braços sob a cabeça e imaginava o "dia pesado" que teria pela frente. Tudo por causa do tio Roberto...
Ah, esse tio Roberto. Na noite anterior, quando acabara de contar a
História do Castelo dos Sonhos, tinha passado uma série de tarefas imensas.
Primeiro precisaria contar e pintar em seu diário quantas cores existiam no céu logo ao amanhecer e, ao mesmo tempo, relatar o formato das nuvens distantes.
Formariam navios, ou pareceriam cavaleiros com lanças e bandeiras?
Logo depois do café da manhã outra tarefa aparecia e Pedro precisaria entrevistar diversas pessoas, anotando em sua caderneta quantas espécies de árvores diferentes havia no quarteirão, cada uma com seu nome popular.
Já sabia do pé de nêspera e sabia também do velho jacarandá e dos dois eucaliptos, mas Deus do Céu, não seria nada fácil descobrir o nome de todos os outros. Mas, não havia jeito se não cumprisse as tarefas passadas pelo tio, não poderia andar de "carruagem" e nem mesmo ser por ele levado até o parque de diversões.
- Homem... Murmurou Pedro, levantando-se.
Um inverno inteiro pela frente e trabalheiras imensas a cumprir.
Além das primeiras missões e ainda antes das dez, precisava colher amoras e ameixas, vestindo-se de galhos, folhas e flores até chegar às águas do pequeno regato. Lá, tinha que descobrir sozinho qual margem era à esquerda, qual a direita e com o auxílio do cronômetro do tio Roberto, fazer um cálculo sobre a velocidade da correnteza. Quanto tempo um broto de bananeira atirado às águas gastaria para percorrer a distância entre a ponte e o bosque dos bambus? Esse tio Roberto tinha cada uma...
Pedro sabia que a manhã estava cheia de tarefas para cumprir.
Uma semana nas férias de julho e de dezembro, o pai e a mãe lhe permitiam dormir na casa de vovó, onde morava esse incrível tio Roberto. Sabia que sua semana não seria nada fácil e que logo na chegada da noite teria que com o tio visitar a torre dos magos, que se vestiam de raios e trovões. Nem esperança de poder ligar a televisão, nem pensar em se prender aos seus adorados videogames. Com tio Roberto as missões eram imensas e as horas corriam como fantasmas. Nesse inverno, como no inverno passado, não existia dia igual a outro e como Roberto falava sempre existem dias de perfume para exercitar o olfato, mas existiam dias de escutar, para aprender a não apenas ouvir. Havia dias de apalpar, dias de lamber e todos os dias, Pedro bem o sabia, eram dias de ver.
Com tio Roberto não existia essa história de apenas olhar...
Para terça-feira o programa já estava montado. Tinha com o primo Rubens e com sua irmã Carolina ir com Roberto entrar mata adentro, descobrir o recanto onde se escondiam os ventos silenciosos, invisíveis nas profundezas do verde no inverno, mas de onde apenas saiam quando a primavera chegasse.
Se a tarefa fosse apenas essa... Mas, nunca era, pois o tio vivia inventando charadas, propondo desafios, fazendo de suas respostas mais perguntas, cada uma mais maluca que outras. Por certo, iria fazer buracos no chão e descobrir milhões de anos em folhas velhas, se amontoando ao pé das árvores.
Muitas coisas com esse tio, as crianças aguardavam acontecer...
- Sim - Pedro estremeceu - não podia existir a menor dúvida: com ou sem razão, dias com tio Roberto eram dias muito especiais...

Celso Antunes